terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Itália em 2008

 



A propósito do Santo António, amanhã é feriado e eu sempre gostei da noite de Santo António em Lisboa, adiante, que isso agora não interessa.

Lembrei-me da minha viagem de sonho a Itália. Começamos por Milão; Pádua; Veneza; Pisa;  Florença, Assis  e finalmente Roma e Vaticano. E excursão com guia e tudo  é bom, mas por outro lado ter horas para estar aqui e ali, não teres a liberdade de passear por outros locais menos turísticos é sempre uma questão que pondero, sou muito de liberdade de passear por outros locais que menos conhecem.

Como foi há algum tempo, lembro-me ainda das sensações, das paisagens, do casario, dos monumentos e do horror dos pombos em São Marcos.

Milão, uma cidade in, um misto de modernidade com bom gosto, associada a grandes marcas, e para mim o encanto maior, a Catedral, as Galerias,  o Estádio de Futebol do AC Milan, Giuseppe Meazza, ou San Siro, já gostei muito de futebol o que posso dizer, o Teatro La Scalla, foi como retroceder séculos e foi uma visita relâmpago  um dia, mas foi um dia em cheio. Lembro-me de andar muito, percorrer a praça de uma ponta á outra,  e ter uma perspectiva, total da Catedral e as fotos são muito boas, mas nas memórias retemos as sensações, os cheiros, as associações com objectos e pessoas.

Pádua, a nossa rival, directa, e bom conhecendo as duas Basílicas, não sei para qual o meu coração inclina, mas nesta Basílica, vendo as relíquias do Nosso Santo António, tendo uma pequena conversa com um Padre sobre o assunto, entendo a reclamação deles, mas mesmo assim Santo António é e será sempre NOSSO.

Tinha piada vir a Itália e não visitar a famosa e maravilhosa cidade de Veneza, bom, que encantadora, tivemos a possibilidade de a visitar de noite, e de dia, o encanto místico e mágico da noite, é qualquer coisa do outro mundo, voltar na manhã seguinte com o amanhecer, é ver as duas faces da mesma moeda e não saber qual escolher. De noite temos a calmaria, o sentirmos a cidade quase só para nós, um brilho especial,  de dia a confusão, os encontrões, os gondoleiros, os vendedores ambulantes, toda a confusão inerente a uma das cidades mais visitadas e famosas do Mundo, mas que tendo a possibilidade de por terra, ou através dos canais percorrer as suas ruas, imaginar cenas (Donna Leon, Morte no Teatro La Fenice), locais vistos e lidos , sentir que fazes parte de algo maior que tu, mas que também te pertence naquele momento que estás ali, é indescritível. Mau: Pombos na praça de São Marcos; O Gondoleiro "cantava fatal", mas com a nossa ajuda atinou, o cheiro dos canais........

 



Pisa, não sei se foi a expectativa do que ai vinha, mas na nossa curta estadia em Pisa apenas estivemos na Torre e na Catedral eu não entrei. Percorri o mercado, e comprei alguns souvenirs, para mais tarde recordar. A explicação que nos deram para a inclinação, foi da Torre ter sido construída sob terreno "pantanoso", e de um lado ainda na construção os alicerces começarem logo a afundar, os engenheiros da época tentaram corrigir, mas com o tempo, a correcção não é suficiente. Espero que não caia, porque é linda, com todas as esculturas e colunas á volta, as fotos não lhe fazem justiça. Esta cidade não estava planeada, mas como fica perto de Florença, o nosso próximo destino, abdicamos de duas horas e passamos por lá.  

Florença já sabia que era a Cidade do Renascimento, que nela habitaram e viveram o Miguel e o Leonardo, o Boticelli, e tantos outros pintores, escultores e homens que deixaram a cultura Mundial, muito mais rica, mas não estava preparada, não estava, e quando descemos do autocarro e nos dirigimos ao hotel, e comecei a ver reproduções da cidade, fiquei mais do que ansiosa para a conhecer.

A nossa primeira paragem e ainda antes de entrarmos na parte "mais" histórica e turística e conhecida, foi o Miradouro da  Praça Michelangelo, ou como nos explicou   o motorista do autocarro Florentino de Nascimento, Miguel Angelo com Florença a seus pés, e na realidade deste ponto as vistas são absurdamente espetaculares, inesquecíveis. E como estamos em época de quase Outono, vemos ao longo a beleza da cidade, e as nuvens carregas de chuva, para a qual já nos tinham alertado.

Na verdade,  mais do que dos monumentos, dos museus, do casario, das lendas e histórias milenares, das excelentes paisagens, falo do encantamento que esta cidade teve sobre mim, não estava á espera, de ficar a amar esta cidade. Ficou no meu coração.


Assis, uma cidade medieval, a cidade de São Francisco de Assis, de uma beleza única, cada rua, cada monumento são únicos, um retrocesso no tempo, uma paz que se respira, espiritual, cultural, longe das multidões de turistas, podemos percorrer com calma e tempo as suas ruas e apreciar a paisagem envolvente.

 

Roma, a cidade imperial, que todos conhecemos e reconhecemos, uma capital polvilhada de história, que se respira a cada passo que damos, uma cidade onde conduzir é um sério problema porque é uma grande confusão pelo menos para mim, é o salve-se quem puder, medo, felizmente andamos de autocarro e também a pé, muito a pé. Um dos locais que me ficou na memória por ser tão arrepiante e horrível foram as catacumbas. Os vestígios romanos que perduram até aos nossos dias, o bom e o mau. Aprender com o passado e com a história, pessoalmente acho que sim, vamos sempre repetir os erros do passado.

Em Roma, e com mais um bocadinho de liberdade...deu para nos embrenharmos nas ruelas e na confusão de Roma, ai sim uns turistas de mochila +as costas, com o mapa a mão e a tão indispensável máquina fotográfica.

E o Vaticano, bem tive a honra de ouvir uma Missa Papal, e de acenar a Sua Santidade, foi mais um dos momentos altos desta magnífica viagem, No Vaticano e sendo uma fã assumida de Miguel Ângelo, se não me puxassem ainda hoje estaria a absorver a maravilhosa Capela Sistina.

Uma viagem muito proveitosa, em termos culturais e pessoais.

 

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