terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Catástrofe a não esquecer Pedrogão Grande 2027

 

Junho 18, 2017


Eu ontem tinha pensado ir passear hoje, é domingo, e apesar do calor ainda se conseguem pontos refrescantes na zona, mas ontem já tarde comecei a ver nas redes sociais as notícias do gravíssimo incêndio em Pedrogão Grande, Leiria, e fiquei pasmada, 19 mortos, fui deitar-me triste e com o pensamento naquelas pessoas e nas outras as que estavam no terreno, a trabalhar a coordenar, a sofrer com a devastação.

Hoje de manhã quando acordei corri para a tv, felizmente a Tv pública abriu o canal de notícias ao  público e o número de vítimas estava em 43, um choque, refugiei-me no telemóvel a falar com os entes queridos, não por estar com receio por eles, mas por necessidade de ouvir uma voz querida e amiga.

Depois não consegui sair para relaxar, chamem-lhe preguiça mas não é, é apenas um sentimento de não me parecer correcto ir passear, relaxar perante a catástrofe que anuncia  a tv.



Ontem depois de um fim de semana prestes a terminar e  em tristeza por todos os acontecimentos, estou a ver o Jornal da Noite na TVI, e com outras coisas e afazeres, dou por mim a olhar embasbacada para  a reportagem da jornalista Judite de Sousa, numa zona interdita, e depois qual não é o meu espanto que a dita senhora faz parte da reportagem ao pé de um cadáver. Parei tudo o que estava  a fazer, e só pensava mas esta mulher está bem??? O que pensa que está a fazer?

Também gostava que lhe tivessem feito o mesmo, desrespeitar a memória dos seus entes queridos?

Isto além de toda a tragédia ao longo do dia, além de me deixar estupefacta, deixou-me indignada e revoltada.

Onde está o respeito e a privacidade, até que ponto deve ir o jornalista para informar, isto não é jornalismo, nem informação é desonrar e desrespeitar  a memória daquela PESSOA.

Se já tinha deixado de ver a maioria dos programas da TVI, agora sim, a única pessoa que eu achava que era coerente e neutra acabou com a minha convicção.


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Longe de imaginar que a minha tristeza da semana anterior culminava num fim de semana de horror, tragédia e sentimentos de revolta e impotência.

Horror perante a impotência das populaçãoes, dos nossos heróis, que perante um cenário apocalíptico, pouco podiam fazer, porque a incompetência de quem nos dirige nos transporta mais uma vez para uma tragédia que é sempre maior que a anterior.

Revolta por ver o nosso interior já tão devastado, ignorado, despovoado, pela negligência dos governates, ser uma vez mais ferido de morte.

Impotência pelo pouco que posso fazer para ajudar, sei que é insuficiênte e é apenas uma "gota no oceano" de dor e tristeza.

Não sendo moradora na zona antingida, passei por ela na segunda, quando ainda havia fumo espesso, e incêndios, e não consegui evitar as lágrimas, porque é tão triste, tão triste... e depois mais triste ver na tv, não as reportagens sobre os incêndios, mas ver as pseudo-explicações de gentinha arrogante.

Sei que um fim de semana destes preciso de voltar a passar pelo nosso Centro, e estou a preparar-me mentalmente para olhar a paisagem verdejante que eu tanto gostava de desfrutar (quando era possível claro, não descurando a segurança rodoviária, claro), estará preta, de luto, carregando-o ainda durante muitos anos.

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